Posted by Gabriel | Posted in Sem categoria | Posted on 06-10-2010
Tags:Beta HCG, Carol, gravidez, resultado positivo, teste de farmácia
Foi numa noite de sábado, mas poderia ser qualquer outro dia da semana.
A Carol, minha esposa, passou toda a noite anterior com uma tosse seca que herdou na última viagem que fizemos, passamos o feriado de 7 de Setembro com o Fred, a Milen e a Bia, a filha linda deles que tem 9 meses.
Foi uma noite horrível. Como ela não parava de tossir, eu também não conseguia dormir, só conseguimos após alguns remédios, xaropes e xingamentos.
No sábado, apesar da tosse, a Carol não abriu mão do seu momento diva e foi ao encontro da sua podóloga.
Quando retornou à noite, foi direto ao banheiro e, poucos minutos depois, gritou meu nome.
Já com a porta do banheiro aberta, ela diz:
- Eu fiz esse teste de farmácia mas acho que tem alguma coisa errada.
É isso mesmo, meu amigo! Ela não se preocupou se meu time estava perdendo, se eu estava preparado, nada. Apesar de estarmos tentando, um teste de gravidez eu acho que deveria ser compartilhado, discutido. Nessas horas elas são muito independentes.
- Como assim? Pra que você comprou isso? Deixa eu ver a bula.
- Calma, eu não acho que estou grávida. Mas tem um risco clarinho aí, não deve ser nada.
Imediatamente, troquei de roupa e providenciei um novo teste. O diálogo na farmácia?
- Por favor, você tem teste de gravidez?
- Qual o senhor quer?
- O mais caro que não erre no resultado.
Quando voltei para casa, abri o teste, li todos os detalhes, inclusive os de fabricação do teste, e entreguei na mão da Carol.
- Pronto, se aparecer duas litras aí significa que você está grávida.
- Tá bom, mais tarde eu faço, não estou com vontade de fazer xixi.
- Nem pensar!
Vigiada pelo meu olhar atento, ela fez o seu papel e me entregou para que eu continuasse com o procedimento indicado nas instruções do teste.
Um minuto depois eis que aparecem as duas listras, sendo que uma bem escura e outra mais clara, assim como no primeiro realizado.
- Tá vendo, eu te disse que não estou grávida, o resultado foi o mesmo.
- Vamos ligar para a Milen. Ela é bióloga e já passou por isso, poderá nos ajudar.
Na conversa com a Milen, ela explicou que estes testes de farmácia podem dar falso negativo, mas jamais dão falso positivo.
Não estávamos convencidos. Mesmo depois de enviarmos a foto dos testes para ela e ela dizer pelo viva-voz:
- Você não está pouco grávida, você está gravidíssima.
Fomos ao hospital, falamos da tosse, que precisávamos de um remédio mas que tínhamos a suspeita da gravidez.
A médica, meio sem paciência diz:
- Só é indicado após o 10° dia de atraso da menstruação, vocês querem fazer mesmo assim?
- CLARO.
O laboratório do hospital estava com problemas e teríamos que esperar pelo laudo em casa.
Apesar de não estarmo convencidos da gravidez, impliquei para a Carol não comer batata frita na lanchonete que paramos quando saímos do hospital.
Esperei até às 3 horas da manhã pelo resultado, para me convencer, enfim, que eu já era pai. Fui dormir ainda na dúvida. O problema continuava e não conseguimos o laudo com o resultado do exame.
Na manhã seguinte fomos ao hospital novamente para pegar o resultado. A funcionária que nos atendeu, acessou o sistema que ainda apresentava problemas e, após imprimir o resultado, apesar de toda a nossa ansiedade, dobrou, colocou no envelope e perguntou:
- Quer que lacre?
Não mereceu resposta alguma.
Pensei em pegar o exame e ser o primeiro a saber o resultado, mas não tive a opção, precisei me contentar com a reação da Carol que tirava o resultado do envelope lentamente na porta do elevador.
Foram segundos, mas a impressão é que uma vida inteira está passando.
Eis que surge um sorriso em seu rosto. Nesse momento, eu já me sentia pai. Naquele sorriso dela eu me sentia pai.
“Vou abraçá-la e gritar”
O elevador chegou. Entramos como duas crianças marotas que acabaram de aprontar alguma. Todo o sentimento contido.
Já dentro do carro, chorando, nos abraçamos e começamos a ligar para as pessoas mais próximas.
Estávamos, enfim, grávidos.
Em tempo, me chamo Gabriel, o pai. Mas isso pouco importa. Quando você estiver grávido, você verá que o seu papel é apenas de coadjuvante.